Independência nos trabalhos de auditoria contábil

Na realização de um trabalho de auditoria contábil ou mesmo revisão das demonstrações contábeis, a credibilidade do trabalho realizado possui uma relação direta com a presença de alguns pilares fundamentais como, por exemplo, a independência do auditor, da equipe e da firma em relação aos clientes auditados.

Outro pilar fundamental é a qualidade das empresas de auditoria e firma contratada.

Por independência profissional entende-se que é a capacidade que tem o auditor de ser imparcial. Corresponde a uma postura que lhe permite chegar a uma conclusão dos trabalhos de forma isenta e livre de influências que possam comprometer o julgamento estritamente profissional. Esta capacidade de isenção e imparcialidade permite que o profissional atue com integridade, objetividade e ceticismo profissional.

Tal imparcialidade e independência terão reflexos na execução dos trabalhos, no seu parecer final e principalmente em sua postura na relação com a instituição auditada. Ao longo da execução dos trabalhos, o profissional deve de forma pragmática, evitar fatos e até mesmo situações que leve a qualquer pessoa a entender que o auditor teve a sua integridade, objetividade ou o ceticismo profissional comprometidos.

Essa postura deve ser adotada não apenas pelo auditor, mas por toda a equipe deixando assim de forma clara que a empresa de auditoria contábil contratada para a execução do trabalho, como um todo, adota a mesma postura de forma irrestrita.

Para manter a sua imparcialidade o auditor deve identificar as ameaças à independência, avaliar a importância das ameaças identificadas e em seguida, implementar ações necessárias para eliminar as ameaças e com isso reduzi-las a um nível aceitável.

Nos casos em que o auditor não tiver sucesso em eliminar as ameaças à sua imparcialidade e independência, é recomendável que o profissional decline do trabalho de auditoria.

 Espécies de Ameaças à independência nos trabalhos de auditoria contábil

 

Assim como em relação ao perito contábil, as ameaças ao longo dos trabalhos de auditoria contábil em empresa, condomínio ou em qualquer outra instituição, podem surgir através de um imenso rol de relações e circunstâncias. Nestes casos, todo o trabalho profissional realizado, por mais qualificado que seja, poderá vir a ser comprometido. Uma circunstância ou relacionamento podem criar mais de uma ameaça, e uma ameaça pode afetar o cumprimento de mais de um princípio fundamental.

As ameaças se enquadram em uma ou mais de uma das categorias a seguir:

  • ameaça de interesse próprio é a ameaça de que interesse financeiro ou outro interesse influenciará de forma não apropriada o julgamento ou o comportamento do auditor;
  • ameaça de autorrevisão é a ameaça de que o auditor não avaliará apropriadamente os resultados de julgamento dado ou serviço prestado anteriormente por ele, ou por outra pessoa da firma dele, nos quais o auditor confiará para formar um julgamento como parte da prestação do serviço atual;
  • ameaça de defesa de interesse do cliente é a ameaça de que o auditor promoverá ou defenderá a posição de seu cliente a ponto em que a sua objetividade fique comprometida;
  • ameaça de familiaridade é a ameaça de que, devido ao relacionamento longo ou próximo com o cliente, o auditor tornar-se-á solidário aos interesses dele ou aceitará seu trabalho sem muito questionamento;
  • ameaça de intimidação é a ameaça de que o auditor será dissuadido de agir objetivamente em decorrência de pressões reais ou aparentes, incluindo tentativas de exercer influência indevida sobre o auditor.

Evidentemente é impossível definir todas as situações capazes de criar ameaças à imparcialidade e independência e, conseqüentemente, definir as medidas apropriadas. Por esta razão o profissional contábil que atua com auditoria das demonstrações contábeis deve possuir a capacidade de identificar, avaliar e tratar as ameaças à independência da forma mais eficaz possível.

É aconselhável que ao longo da execução dos trabalhos de auditoria das demonstrações contábeis exista uma constante comunicação entre as firmas e os responsáveis pela governança do cliente de auditoria sobre relacionamentos e outros assuntos que podem ser, na opinião da firma, razoavelmente relacionados com a independência. Essa comunicação permite aos responsáveis pela governança:

  • considerar o julgamento da firma na identificação e avaliação de ameaças à independência;
  • considerar a adequação de salvaguardas aplicadas para eliminá-las ou reduzi-las a um nível aceitável; e
  • tomar as medidas apropriadas.

Essa abordagem pode ser especialmente útil em relação a ameaças de intimidação e de familiaridade.

 

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